segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Imigração portuguesa no Brasil apresentou privilégios

A legislação brasileira sempre concedeu privilégios políticos e jurídicos aos imigrantes portugueses, em comparação a cidadãos de outras nacionalidades.
No entanto, ao mesmo tempo em que tiveram vantagens diplomáticas, os portugueses também foram alvo de perseguições em terras brasileiras. Os dados estão na pesquisa de doutorado Laços de Sangue – Privilégios e Intolerância à Imigração Portuguesa no Brasil (1822-1945), de autoria do jornalista e professor universitário José Sacchetta Ramos Mendes. O estudo foi escolhido como o melhor trabalho acadêmico do ano de 2007 pela Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo recebido, no último mês de novembro, o Prêmio Fernão Mendes Pinto.
Apesar de a análise do tema ter compreendido o período entre a Independência do Brasil e o fim do Estado Novo, Sacchetta destaca que, atualmente, as Leis brasileiras continuam tratando os portugueses de maneira diferenciada. “De acordo com a atual Constituição, os portugueses e outros lusófonos que comprovarem que possuem um ano de residência fixa no Brasil podem solicitar a naturalização. Já para os cidadãos de qualquer outra nacionalidade, este prazo é de 15 anos ininterruptos”, aponta.
Segundo o pesquisador, os portugueses nunca foram vistos como estrangeiros, mas sim como compatriotas. Sacchetta realizou um estudo de Leis brasileiras, desde 1822 até 1945, e analisou documentos do Itamaraty (correspondência diplomática). Por meio da Cátedra Jaime Cortesão, da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador conseguiu um auxílio para estudar em Portugal, onde pesquisou o Arquivo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Arquivo da Torre do Tombo.
Ele também atuou como Visiting Scholar, na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde pesquisou arquivos do Centro de Estudos Brasileiros daquela instituição. A pesquisa foi apresentada em abril de 2007 na FFLCH, no Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER), sob a orientação da professora Maria Luiza Tucci Carneiro. De acordo com o pesquisador, estatísticas brasileiras e portuguesas apontam que, entre 1822 e 1950, cerca de 1 milhão e 900 mil portugueses imigraram para o Brasil.
Privilégios
O jornalista conta que na Assembléia Constituinte de 1823, os portugueses não foram considerados estrangeiros. “Qualquer pessoa nascida em Portugal, que morasse no Brasil, foi considerada brasileira caso concordasse com a Independência”, conta. Já na Era Vargas (1930-1945), fase em que ocorreram diversas restrições à entrada de estrangeiros no Brasil, os portugueses continuaram sendo beneficiados. “Na Constituição de 1934, havia um artigo que limitava as cotas de entrada para estrangeiros no Brasil, de todas as nacionalidades. Em 1938, essa Lei foi suspensa apenas para portugueses”, relata.
Entre 1939 e 1945, houve uma redução da imigração em todo o mundo devido a Segunda Guerra. “Durante o conflito mundial, Vargas enviou circulares para os serviços diplomáticos do exterior dizendo que os portugueses poderiam entrar no Brasil. O mesmo presidente que proibiu a entrada de judeus, incentivou a imigração portuguesa com o objetivo de "garantir o fortalecimento étnico da nação", comenta. “Isso mostra uma intenção política clara de negação da realidade brasileira: o País não deveria ser o que ele era de fato”, aponta.
O jornalista menciona ainda uma carta dirigida ao chanceler Oswaldo Aranha, escrita em 1943 por Frederico de Castelo Branco Clarc, presidente do Conselho de Imigração e Colonização: “A orientação era de que não deveria haver restrição numérica para a entrada de portugueses no Brasil, visando a formação étnica”, conta. Após o final da Era Vargas, na Constituição de 1946, foi colocado um artigo que também tratava os portugueses com privilégios. “Na época, o antropólogo Gilberto Freyre e um grupo de deputados defendiam que os portugueses não deveriam ser considerados estrangeiros”, comenta.
Perseguições
O pesquisador afirma que a lusofobia no Brasil ocorreu mesmo após a Independência, ficando muito forte até 1930. Ele conta que em 30 de maio de 1834, no episódio conhecido como “A Rusga”, foram mortos entre 200 e 400 portugueses em várias cidades na então província do Mato Grosso.
Há documentos que mostram que, após 1822, ocorreram ataques a portugueses no Rio de Janeiro no início do século XX. Sacchetta destaca que, tradicionalmente, na historiografia, os portugueses foram considerados “fura greve”. “Porém, as estatísticas apontam que entre 1900 e 1920 foram expulsos do Brasil mais portugueses do que italianos e que várias lideranças operárias tinham nacionalidade portuguesa”, esclarece.
O pesquisador também comenta que entre os cerca de 130 mil prontuários do antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops) entre 7,5% e 8,5% são de portugueses. “As tradicionais piadas e chacotas envolvendo este povo cresceram durante a Primeira República, mas é muito provável que sejam anteriores a este período”, diz.
De acordo com a atual Constituição brasileira (Artigo 12, Parágrafo I), o privilégio antes direcionado apenas aos portugueses também foi estendido para os nascidos em países de Língua Portuguesa, como Angola e Moçambique. O jornalista lembra que a diferenciação que as leis brasileiras fazem em relação ao povo português não ocorre em outros países como Argentina / Espanha ou Inglaterra / Estados Unidos, por exemplo. “Apenas na Venezuela existe um estímulo à imigração de portugueses, italianos e espanhóis, mas nada comparado ao que ocorre no Brasil”, finaliza.
Mais informações: (71) 3264-4764 ou e-mail's

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Seduc divulga resultado da Seleção de Diretores das Escolas de Educação Profissional

A Secretaria da Educação (Seduc) divulga as listas dos resultados da Seleção de Diretores das Escolas de Educação Profissional. A primeira lista é referente aos 294 candidatos aprovados na classificação geral, e a segunda lista corresponde aos 108 candidatos convocados para o curso da segunda fase do processo.

O curso é dividido em dois módulos. O primeiro será realizado nos dias 10, 11 e 12 de dezembro, das 8 às 18 horas, e o segundo nos dias 15 e 16 no mesmo horário. As aulas serão ministradas no Condomínio Espiritual Uirapuru - Casa de Retiro Nossa Senhora de Fátima - Auditório Madre Dias (av. Alberto Craveiro, 2222 - Bairro: Dias Macedo - Fortaleza – Ceará).

Os candidatos classificados na lista geral que não foram convocados para o curso no próximo dia 10, irão compor um banco de dados e poderão ser convocados a qualquer momento para a segunda fase do processo.

A prova de seleção de diretores das Escolas de Educação Profissional ocorreu no dia 30 de novembro e contou com um total de 2.569 inscritos.

Listas de classificação:
Classificação Geral
Convocados para a 2ª fase

Saiba mais sobre o deslocamento para o curso:
Ponto de referência do local: Próximo ao Estádio CastelãoÔnibus: Dias Macedo/Parangaba - saindo do terminal da ParangabaJosé Walter - saindo da Praça Coração de Jesus no CentroCastelão - saindo da Praça Coração de Jesus no Centro

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Não percam a nossa feira! Vai ser um show, confira!

A ESCOLA CONSERVA FEITOSA CONVIDA A TODOS PARA A FEIRA QUE ACONTECERÁ EM DEZEMBRO. VEJA A GENDA

QUINTA-FEIRA 04/12/2008
MANHÃ – ORGANIZAÇÃO DAS SALAS
TARDE – ABERTURA DA FEIRA - HINO NACIONAL E DO CEARÀ
(ORGANIZAÇÃO DAS SALAS) APRESENTAÇÃO DA PEÇA (8º ANO)
A GINCANA
PARTICIPAAÇÃO ESPECIAL ONG JURITI
NOITE – BANQUETE LITERÁRIO

SEXTA-FEIRA 05/12/2008
MANHÃ-VISITA AS SALAS
APRESENTAÇÕES CULTURAIS (ONG JURITI)

TARDE – APRESENTAÇÃO DO PROJETO “A RESSIGNIFICAÇÃO DAS DATAS COMEMORATIVAS
VISITA AS SALAS
NOITE – SHOW: GRUPO SAL DA TERRA.

SÁBADO- 06/12/2008
MANHÃ - FEIRA DO TRECO
ENCERRAMENTO
AVALIAÇÃO

Alunos com bom desempenho no 3º bimestre

6º ano "A"
DALVA
DIEGO
JENNIFER
BRUNO
LAIANE
MAYARA
WESLEY
AMANDA

6º ano "B"
ANTONIO WESLEY
ARIANA SOARES
DÉBORA
FRANCISCO IDELANDIO
GEYCIANE
ROSIMAR
VITÓRIA

6º ano "C"
LAYSLA
JOSEANE
EDSON
MARIA JOSELANIA
MICHAEL
MAYARA
CÍCERO LUAN

7º ano "A"
VALESKA
TAYS
JÚLIO
FRANCISCO NATANAEL
FELIPE
CÍCERO DANIEL
CÍCERO LEOSMAR
ADRIANO TEIXEIRA
ALAN TEIXEIRA
ANDERSON

7º ano "B"
ALDAIR
ALLISON
ANGELA
IDERLANIO
MARIA RAFAELLE
FERNANDA

8º ano "U"
ANA PATRÍCIA
DJENIFER
JULIANA
MARIA ELIANE
PALOMA
PAMMELLA
ROBERTO
VALÉRIA

9º ano "U"
ADÃO
ANA CAROL
ANDRÉIA
ELIANA
ELISÂNGELA
ERILÂNGELA
NATHALIA
TAILSON
WELIDA


ENSINO MÉDIO
1º ANO "A"

CLEONICE
DÉBORA
FRANCISCA ALDIRNANDA
FRANCISCO DAVIDSON
JEFFERSON
JUCIMARA
LUZIA
ROSELAINE
VANESKA
WESLEY

1º ANO "B"
CÍCERA MARIA
FRANCISCA PEREIRA
FRANCISCO WHATILA
IVANILDA
PATRÍCIA
PRYSCILLA
RAYANNE
CÍCERA ÉRICA
CARLOS RAMON

1º ANO "C"

ADRIEL
AVANI
D’ARC
KENILCE
FRANCISCA GOMES
JOSÉ ALISSON
JOSÉ FÁBIO
JOSÉ MÁRIO
MARIA DANIELE
MARIA SILVANTE
ROSIMERIA
SILVANIA

2º ANO "A"

ANDRÉIA
ANTONIA JANAINA
CÍCERO FARIAS
CRISOSTRI
ELAINE
GERLANY
ISMAEL
LUIZIANE
MARCONE
MARGARIDA
MARIA ALINE
MARIA FABÍOLA
MARIA VALDENEIDE
VANIZA

2º ANO "B"
CLAÚDIA
HERMESON
KARINA
LILIANE
MARIA CLEIANY
MARIA JAQUERLÂNIA
MARIA KELVIN
MARCELO
SUERLANE

3º ANO "A"
ANA RENE
IRENILDA
MARIA FERNANDA
MARIA THAYSE
RAQUEL
SILVANEIDE
SUELANE

3º ANO "B"
VALCLÉCIA
DANÚBIA KELI
EDMAR
JADYANA
PRISCILANE
MAURÍCIO
ROSILENE
ANA PAULA


EJA III
ALINNE SILVA
ANTONIA DOS SANTOS
CÍCERO LOPES
DANIEL PEREIRA
EFIGÊNIA
FLAVIANA
FRANCISCA DANIELA
IRAN
IZABEL
JEANE
JOANA D’ARC
JOSÉ ALAN
JOSÉ ANTÔNIO
JOSÉ JÚNIOR
JOSÉ JUSCÉLIO
JOSÉ LUÍZ
JOSÉ ROMÁRIO
JOSÉ SANGIELY
JOSÉ WILLAMES
RAMON
TATIANA
CHINARARA
GILMAR

EJA IV "A"
ADRIANA
ROBSON
CRISTIANE
ELCLECIANO
FRANCISCA RODRIGUES
FRANCISCO WILLIS
HENRIQUE
JAQUELINE
JOANA D’ARC
JOSÉ ROBERTO
LUCIMAR
MARCELO
MANUELA
MAURÍCIO
RAFAEL
WELTON
LÚCIA

EJA IV "B"
CÍCERA RODRIGUES
EDSON
FLÁVIO
DEISE
EUNICE
FRANCILENE
EDILENE
JAILSON
JEFFERSON
JONATAS
JORGE MICHAEL
RENATO
MARCOS
HOSANA
IVONEIDE
LUCIVÂNIA
SOCORRO
MARLENE
PATRÍCIA
RAIMUNDO
UILIS


A aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento e a evolução de um cidadão.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O ciclo vicioso do vandalismo

Um importante estudo que pode auxiliar os educadores a compreender a questão do vandalismo nas escolas.
Violação de uma norma social fomenta a transgressão de outras, diz estudo holandês.

Lixo no chão, pichações nas paredes e outros tipos de desordem urbana são o cenário ideal para atos de vandalismo. É o que diz um estudo realizado na Holanda. A pesquisa concluiu que as pessoas se sentem mais à vontade para transgredir as normas quando vêem que outros indivíduos já fizeram isso antes. Pesquisadores da Universidade de Groningen (Holanda) realizaram seis experimentos de campo em que observaram o comportamento de indivíduos em cenários com ausência e presença de vandalismo. Em ambas as situações, as pessoas não sabiam que estavam sendo observadas.
Os resultados mostraram um aumento significativo de pequenos delitos quando era possível notar no ambiente alguma transgressão das regras estabelecidas. O artigo foi publicado na revista Science desta semana. Um dos testes foi feito em um estacionamento de bicicletas. Os pesquisadores colocaram um folheto de propaganda em cada bicicleta com o objetivo de observar se as pessoas iriam jogá-lo no chão ou levá-lo até uma lixeira mais distante, já que não existia uma no local. Uma placa pendurada dizia que pichações eram proibidas.Em uma das situações, as paredes estavam limpas e, na outra, estavam tomadas por pichações.
Das 77 pessoas observadas em cada situação, 69% jogaram o folheto no chão no cenário com as paredes pichadas. Quando as paredes estavam limpas, apenas 33% cometeram a mesma infração.
Comportamento influenciador
“Quando as pessoas observam que outras picharam onde isso não deveria ter sido feito, elas percebem um comportamento inapropriado”, explicam os autores no artigo. E completam: “Acreditamos que isso enfraqueça seu interesse em ter um comportamento adequado e fortaleça a vontade de fazer o que faz bem a elas (por exemplo, ser preguiçoso e jogar papel na rua) ou o objetivo de obter recursos materiais por meio de furtos.”
Outro experimento avaliou o impacto da transgressão das regras de uma empresa privada, que não têm força de lei, nas atitudes das pessoas. O cenário foi um estacionamento de supermercado em que um aviso pedia que os clientes devolvessem o carrinho de compras ao seu local de origem.
Entre os indivíduos que encontraram o estacionamento com quatro carrinhos abandonados, 58% jogaram lixo no chão, enquanto somente 30% das pessoas que encontraram o local livre de carrinhos tiveram a mesma atitude. “Nossa conclusão é que, se a violação de certa norma se torna mais comum, isso irá influenciar negativamente a concordância com outras normas e regras”, afirmam os autores. “O efeito não é limitado a normas sociais, é também aplicado a ordens policiais e até a solicitações legítimas feitas por companhias privadas.”
Teoria das janelas quebradas
Segundo os pesquisadores, as conclusões da pesquisa reforçam a chamada teoria das janelas quebradas, defendida em 1982 por dois criminologistas da Universidade Harvard (Estados Unidos). A teoria postula que o vandalismo provoca o crescimento da desordem e, conseqüentemente, da criminalidade. Mas os críticos dessa hipótese questionam se ações de repressão ao vandalismo de fato conseguiriam diminuir a ocorrência de crimes mais sérios, como seqüestro e assassinato. Os cientistas holandeses dizem que seu estudo confirma empiricamente a teoria e traz indicações sobre o que precisa ser feito para combater o crime. “Essa é uma mensagem clara para os construtores de políticas públicas e oficiais de polícia: um diagnóstico e uma intervenção precoces são de importância vital quando se luta contra o espalhamento da desordem”, ressaltam.

Fonte: Ciência Hoje (21.11.2008)

Seduc divulga lista de classificação da II Feira Estadual de Ciências e Cultura

A Secretaria da Educação do Estado do Ceará (SEDUC) divulga a lista de classificação dos trabalhos apresentados durante a II Feira Estadual de Ciências e Cultura. A feira reuniu alunos da rede pública estadual de ensino entre os dias 13 e 15 de novembro.
O evento foi uma realização da SEDUC através da Coordenadoria de Desenvolvimento da Escola (Cdesc), e ocorreu na Vila Olímpica de Messejana.
Ao todo, foram apresentados 104 trabalhos. A II Feira Estadual de Ciências e Cultura teve como objetivo estabelecer relações dinâmicas dos conhecimentos específicos das disciplinas da base comum do ensino fundamental e médio com problemáticas sociais, culturais, econômicas e ambientais, de caráter local, regional, nacional ou global, promovendo o intercâmbio cultural e cientifico entre os participantes do evento e estimulando o interesse pelo o estudo das ciências.
Acesse:

Lista de Classifição Geral

Lista de Classifição


Fonte: SEDUC - ASSECOM

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Enem: alunos das escolas particulares têm melhor desempenho

Mais uma vez, estudantes de escolas particulares tiveram melhor desempenho que os colegas da rede pública no Enem.
O apelido do primeiro colocado no Enem deste ano é "Gabarito". Caio Nasser Mancini, 19, mora em Vitória (ES) e diz que ganhou a alcunha porque "na maioria das vezes gabarita" (acerta todas as questões) nas provas e simulados.Caio fez o ensino fundamental numa escola privada desta cidade, o Colégio Renovação, e depois fez boa parte do ensino médio no Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes), que é público. O candidato ao curso de medicina acertou todas as 63 questões objetivas e quase "gabaritou" a redação.

O pai, Nilson Mancini Júnior, é engenheiro elétrico, e a mãe, Ana Lúcia Nasser Mancini, é analista de sistemas. Ele quer ser pediatra. Os últimos meses foram só estudo. A primeira etapa no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo será no domingo. A estratégia de estudo incluiu horários de estudo nos fins de semana, evitar saídas com amigos, quatro horas diárias sobre livros e cuidados redobrados com redação.

Foi a redação que o barrou no ano passado em medicina nas universidades Federais do Espírito Santo (Ufes) e de Minas (UFMG). Desde então, investiu na leitura de revistas e jornais.
Este ano, mais uma vez, estudantes de escolas particulares tiveram melhor desempenho que os colegas da rede pública no Enem.Eles alcançaram nota média 56,12 no teste objetivo e 65,35 na redação, contra 37,27 e 57,26, respectivamente. Na prova objetiva, a maior distância entre rede pública e privada ocorreu na Bahia: 33,06 ante 55,34. Os resultados consideram apenas o desempenho dos concluintes do ensino médio.
No Rio, os estudantes do último ano do ensino médio de escolas públicas tiraram nota 38,96. Nas escolas particulares, a média foi de 55,50. O Enem seleciona candidatos a bolsas no programa Universidade para Todos (ProUni). Para conquistar uma vaga, é preciso atingir pelo menos 45 pontos de média, somando os resultados da prova objetiva com a redação.
Renato Lopes de Almeida, de 18 anos, segundo colocado no Enem, tira redação de letra. Ex-aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), ele confessa que tremeu ao receber a ligação do MEC, informando sua média no Enem 2008: 98,75, sendo 96,83 na objetiva e 100 na redação.
Morador de Bangu, Renato terminou o ensino médio ano passado, na Epcar. Ao longo de 2008, fez o curso Elite, em Madureira, e, além de se preparar para o vestibular, prestou concurso para técnico administrativo do BNDES. Passou na seleção e assume em janeiro. Na prova do Enem e na do banco, Renato tirou nota máxima em redação.
- Até pensei em pedir para olhar a prova. É estranho acertar tudo numa redação. Não sabia se tinha ido bem.
Segundo Renato, os anos que passou na escola da Aeronáutica foram fundamentais: - Eles visam à parte de exatas, analisamos gráficos, interpretamos textos. Desenvolvemos um raciocínio bem analítico.
Moradora de São Carlos (SP), Daniella Rantin, de 22 anos, também em segundo no Enem, empatada com Renato, garantiu uma vaga em medicina na UniRio - a universidade é uma das poucas que premiam com vagas o bom desempenho dos alunos no Enem. Formada em Ciências Biológicas pela UFSCar, Daniella voltou a fazer cursinho este ano quando se deu conta de que seu sonho era outro.
- No colegial, sempre quis fazer biologia. Na faculdade, vi que gostava era de cuidar de gente - conta Daniella, filha de psicóloga e biólogo.
Ela não compareceu ontem ao vestibular da UniRio para poder estudar para as provas da Fuvest, no fim de semana.

- Não pude viajar, mas estou com medo de não ter ficado com a vaga em medicina, apesar do segundo lugar. Isso porque a nota do Enem saiu um pouco atrasada. Não sei se eles (UniRio) vão aceitar. Espero que sim.

Em São Paulo, nenhuma universidade garante vaga com a nota do Enem - disse Daniella, que estudou sempre em escola particular e espera entrar em sua segunda universidade pública.Enquanto isto, as escolas particulares de SP tiveram a 2ª pior queda em avaliação nacional. A nota no Enem diminuiu 13,1 pontos em relação a 2007; por causa disso, Estado caiu do 1.º para 3.º lugar no País.

Foi a segunda maior queda no País, inferior apenas à das escolas privadas de Goiás. A diminuição da nota na prova objetiva, de 71,6 para 58,5, fez com que os alunos paulistas da rede particular deixassem a primeira colocação no Brasil e caíssem para a terceira.

O resultado do Enem, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que, no geral, as notas dos alunos nas 63 questões (parte objetiva) caíram. A média do exame - realizado por 2,9 milhões de jovens no País, em agosto - foi de 41,69, ante 51,52 em 2007. Na redação, subiu de 55,99 para 59,35. A nota varia de 0 a 100. Os resultados por escola e por município serão divulgados somente no ano que vem.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), Reynaldo Fernandes, o Enem tem níveis de dificuldade diferentes de um ano para outro e por isso é complicado comparar as notas. Outros exames, como a Prova Brasil, são feitos com uma calibragem para que tenham sempre o mesmo nível de dificuldade e possam, assim, avaliar o sistema como um todo.

Mesmo assim, a queda na pontuação de São Paulo foi considerada preocupante por especialistas. O Distrito Federal, hoje o primeiro colocado entre as redes privadas no Enem, caiu apenas oito pontos. A nota geral das escolas privadas do País foi 56,12. São 11,9 pontos a menos que em 2007.

"É um absurdo, é preciso analisar o que aconteceu", disse o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), José Augusto de Mattos Lourenço. Ele foi avisado pela reportagem sobre o desempenho das escolas particulares e disse que ainda precisava receber os dados oficialmente para avaliar melhor.

"Em São Paulo temos todo tipo de aluno na rede privada, inclusive classe C. Em outros Estados, só a elite da elite estuda nessas escolas", diz o presidente do Conselho Estadual de Educação, Artur Fonseca Filho. Já Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirante, uma das escola com melhor desempenho do Estado no exame, se disse surpreendido com o resultado. "As escolas têm investido para que seus alunos se saiam bem na prova. O mercado é muito afetado pelos rankings do Enem."

O Estado de São Paulo tem a maior rede particular do Brasil. O número de alunos no ensino médio - cerca de 250 mil, segundo os dados mais recentes do MEC - representa mais de 20% de todos os estudantes desse nível educacional em escolas privadas brasileiras. Participaram da prova do Enem neste ano 59.395 alunos que estavam no último ano do ensino médio de escolas particulares de São Paulo e 225.226 de públicas.

A nota dos alunos da rede pública paulista na prova objetiva caiu menos que as das particulares: 11,95. A média deste ano foi 39,02, ou seja, menos de 50% de acerto, nível que tinha sido alcançado em 2007.

Na parte de redação - que não é feita por todos os participantes porque a nota não é considerada em vestibulares, como o da Fuvest - a média da rede particular de São Paulo aumentou de 62,09 para 64,96. Na rede pública também cresceu: passou de 55,04, em 2007, para 57,77, em 2008.
Mesmo com nota mais baixa que no ano passado (39,43 contra 49,27), SP subiu três posições na relação da escolas públicas na parte objetiva -passando de oitava para quinta. No índice geral, contando notas das duas redes, SP subiu duas posições, de oitavo para sexto.

A Secretaria da Educação, por meio de sua assessoria, comemorou o avanço e disse esperar resultados melhores com a adoção de ações para o ensino médio, como a instituição de 42 dias do ano letivo para recuperação de aprendizagem.

Os dados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) divulgados ontem, também mostram que o Rio Grande do Sul, pelo segundo ano consecutivo, tem a melhor rede pública de ensino médio do país. Ainda assim, em média, os estudantes do Estado não conseguiram acertar nem metade da prova.

Apesar do resultado, o desempenho dos estudantes da rede pública do RS caiu 23% em relação ao ano anterior. Na parte objetiva, composta por questões de múltipla escolha, os alunos do Estado acertaram 42,12 pontos (de cem), contra 54,61 pontos, no exame passado.

Na redação, entretanto, a nota subiu 3,5%, passando de 59,74 pontos para 61,84 pontos -de outros cem pontos.

Já Alagoas ficou com a pior rede pública do país. Os estudantes de AL fizeram, em média, 31,76 pontos na parte objetiva e 57,26 na redação. No ano anterior, as médias foram 42,58 e 52,06, respectivamente.

O melhor desempenho geral, considerando as notas da parte objetiva, assim como em 2007, foi o do Distrito Federal.

Houve, porém, queda nas notas de todos os Estados. A média nacional nas questões de múltipla escolha caiu 23%, de 52,47 para 40,54.

A queda geral das notas pode estar relacionada ao grau de dificuldade da prova deste ano. De acordo com professores ouvidos pela Folha no dia do exame, o Enem de 2008 foi mais trabalhoso e denso do que os dos anos anteriores.

"Havia enunciados gigantescos. Foi uma prova mais densa e cansativa", disse à época a coordenadora do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi.

Se forem comparadas as notas dos alunos de escola pública com as de escolas particulares, nota-se um desempenho 34% inferior. A diferença foi de 18,8 pontos -37,3 contra 56,1. O hiato deste ano, porém, é inferior ao registrado no ano passado, quando 20,4 pontos separavam as duas redes de ensino.

Naquele ano, porém, a comparação foi feita entre alunos que fizeram todo o ensino médio na mesma rede de ensino. Em 2008, foi considerada a diferença só da rede pela qual o aluno concluiu o curso.

O MEC também aponta que não se pode comparar duas edições do Enem, pois o grau de dificuldade varia.

O presidente do Inep (instituto de que divulgou os dados do Enem), Reynaldo Fernandes, diz que é preciso cautela ao comparar as redes, já que alunos com melhor nível socioeconômico tendem a ter mais chance de melhores notas.

O Enem deste ano avaliou 2,9 milhões de alunos. Os resultados podem ser conferidos no site (www.inep.gov.br)