quinta-feira, 11 de setembro de 2008

"Queremos integrar ensino médio com profissional", diz Fernando Haddad

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, evasão vai cair com mais vagas em curso técnico, porque o aluno passará a "ver sentido na permanência na escola".



Fonte: Jornal da Ciência / O Estado de São Paulo (08.09.2008)




Nos últimos meses, o ensino médio tem concentrado algumas das principais ações do Ministério da Educação. A principal proposta federal é aumentar a rede de ensino técnico. Os resultados, no entanto, ainda devem demorar um pouco a acontecer, como admite o próprio Ministro da Educação, Fernando Haddad.

"No ensino médio as taxas de repetência e os resultados nas avaliações não têm melhorado. Esse ainda é o nó mais difícil de desatar na educação brasileira? Sou o primeiro a dizer. Temos que melhorar as taxas de aprovação dos anos finais do ensino fundamental, o que aconteceu apenas agora entre 2005 e 2007. Eram estáveis desde 1998 e agora apresentaram uma melhora, especialmente na 8ª série. Os programas de apoio ao ensino médio são muito recentes, como livro didático, expansão do Bolsa Família para jovens de 15 a 17 anos, e as leis do transporte escolar e da merenda, que foram enviadas, mas até agora não foram votadas pela Câmara. São medidas estruturantes. Também temos três programas estruturais. O primeiro deles, a expansão da rede federal de ensino médio técnico. Segundo, o Brasil Profissionalizado, para reestruturar redes estaduais. Terceiro, a reforma do Sistema S, que vai permitir a ampliação das oportunidades de ensino profissional no País".


Mas pesquisa do próprio MEC mostrou que quase 50% dos jovens que largam a escola não o fazem por falta de merenda ou transporte, mas por desinteresse. Nenhuma dessas ações mexe com isso. A educação profissional mexe. Além das escolas federais, são centenas de milhares de vagas que serão criadas pelo Brasil Profissionalizado. Já há seis Estados que apresentaram projetos. Quase R$ 1 milhão para investimentos na reestruturação dessas escolas. Além da expansão da rede federal. O investimento na expansão das escolas técnicas federais já vem de algum tempo, mas ainda não teve impacto no ensino médio. O número de concluintes está parado desde 2000. Das 214 escolas, 52 já estão em funcionamento. Mas não é a rede federal que vai resolver o problema, ela em si. A idéia é que a rede federal, instalada em cada região, possa, por cooperação, auxiliar as escolas estaduais de ensino médio a reestruturar seus currículos. Metade dos alunos que se inscrevem no ProUni terminou o ensino médio há algum tempo. Só sentiu agora a necessidade de voltar a estudar. Boa parte dos alunos do ensino médio não tem essa perspectiva imediata de entrar no superior, só mais tarde, porque o ensino médio não está servindo como formação para o trabalho. Nossa visão sempre foi do ensino médio integrado. Oferecer o ensino profissional a partir de no máximo o segundo ano. É um grande equívoco esperar ele se formar em um ensino médio que está pouco estruturado e aguardar que aproveite uma oportunidade futura de se profissionalizar. Nossa tese sempre foi de, durante o ensino médio, oferecer o profissional. Aí a evasão cai, porque o estudante vê sentido na sua permanência na escola.